Quando desmamar a criança?

quando desmamar a criança

Essa pergunta é frequente em nossa página do Facebook. Palpiteiros de plantão adoram dar sua opinião não solicitada dizendo para as mães que está na hora de desmamar. Não existe consenso nem mesmo entre profissionais de saúde. A Academia Americana de Pediatria recomenda o desmame com 1 ano, já a Unicef, a OMS, a Sociedade Brasileira de Pediatria e o Ministério da Saúde recomendam a amamentação até 2 anos ou mais. Mas quem decide isso? O que levar em conta?

Até mesmo fatores culturais da comunidade onde a mãe está inserida contam nessa decisão. Em alguns países é culturalmente aceito que se amamente até 3 a 4 anos, enquanto em outros isso soa como excentricidade.

O Caderno de Atenção Básica n23 do Ministério da Saúde, divulgado em 2009, listou alguns sinais de que a criança está amadurencendo para o desmame. Veja quais são:

  • Idade maior que 1 ano
  • Menor interesse nas mamadas
  • Aceita boa variedade de outros alimentos
  • Seguro na relação com a mãe
  • Aceita outras formas de consolo
  • Aceita não ser amamentado em certas ocasiões e locais
  • Às vezes dorme sem mamar no peito
  • Mostra pouca ansiedade quando encorajado a não mamar
  • Às vezes prefere fazer outras atividades  com a mãe ao invés de mamar

O caderno do Ministerio da Saúde lista também fatores que podem facilitar o processo de desmame:

  • Mãe estar segura de que quer (ou deve) desmamar
  • Entendimento da mãe de que o processo pode ser lento e demandar energia
  • Flexibilidade, pois o curso do processo é imprevisível
  • Paciência para dar tempo à criança
  • Suporte e atenção adicional à criança
  • Ausência de outras mudanças, como controle de esfíncteres, mudanças de residência e outras

É importante entender  que  “sinais de que a criança está amadurecendo” são exatamente isso: sinais! Não quer dizer que a presença deles indica que tem que desmamar de qualquer jeito! O processo de desmame é uma decisão conjunta do binômio mãe-criança e se a mãe não estiver segura, mesmo que a criança esteja pronta, talvez não seja ainda o melhor momento.

A decisão de desmamar nunca é fácil e vem, quase sempre, seguida de culpa. A amamentação prolongada ainda é um tabu nas sociedades ocidentais e as mães muitas vezes se sentem pressionadas a desmamar. Muitas são as “justificativas” dadas, como “a criança vai ficar dependente”, “vai atrapalhar na alimentação”, “a necessidade é da mãe e não da criança”. Independentemente dos palpites, a decisão cabe somente à mãe, sem julgamentos!

Se optar pelo desmame, faça isso de forma gradual, retirando uma mamada a cada 1 a 2 semanas. Evite desmames abruptos pois isso pode causar não só ingurgitamento mamário e dor nas mamas, mas também danos emocionais na mãe e na criança.

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