Chupeta: sim ou não?

Por outubro 25, 2017 Cuidados, Saúde Sem comentários
Chupeta: Sim ou Não?

Primeiramente, o objetivo do texto é trazer aos pais, familiares e cuidadores o que existe, HOJE, de evidência científica PRÓ e CONTRA o uso de chupetas. Acho que esta visão pode dar a você a possibilidade de escolher o que acha melhor para o seu filho, conversando com o pediatra do bebê e colocando as suas dúvidas e anseios. Como um portal de saúde materno infantil, jamais faremos apologia ao uso de chupetas e bicos artificiais e os motivos estarão aqui bem explicados. Diante do cenário atual de baixos índices de aleitamento materno no Brasil e diversas causas de desmame precoce, a Sociedade Brasileira de Pediatria divulgou, em agosto de 2017, um documento oficial sobre o uso de chupeta em crianças amamentadas.

O uso de chupeta segue como o fator mais fortemente associado à interrupção do aleitamento materno exclusivo. O seu uso pode levar à redução da frequência de amamentação, já que interfere diretamente na demanda do bebê ao seio, e possivelmente altera a dinâmica oral do bebê. Porém, outros estudos relatam a dificuldade da relação causal entre o uso de chupeta e interrupção do aleitamento por mecanismos não muito claros, já que não foi possível concluir se o uso de chupeta é um marcador da interrupção do aleitamento materno, ou se é uma causa. Mas o uso da chupeta está, de fato, associado a menor duração do Aleitamento Materno (AM) e também do Aleitamento Materno Exclusivo (AME).

A recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) desencoraja o uso de chupeta e bicos artificiais de maneira veemente. Já a Academia Americana de Pediatria (AAP) recomenda o uso após 3-4 semanas de vida, quando a amamentação já está estabelecida segundo eles, como fator de proteção da Síndrome da Morte Súbita do Recém-nascido (SMS do RN) após grande estudo de 2005, que relacionava o seu uso com uma diminuição de risco, sendo utilizada para dormir e em sonecas curtas no período de maior risco – 1 até 5 meses de vida – e no máximo até os 12 meses.

Ano passado, após revisão de literatura, a AAP seguiu com a recomendação, na última revisão sobre Medidas de Sono Seguro, de que o uso da chupeta durante o sono constitui fator protetor, apesar das hipóteses ainda controversas que sustentam esse fato. Vale ressaltar que o AM é, por si, comprovadamente um grande fator de proteção contra esse evento em todos os estudos.

Estudos recentes e realizados em vários países têm concluído que, apesar da variabilidade de recomendações pelo mundo, o uso de chupeta tem mais malefícios do que possíveis benefícios.

Como o uso da chupeta afeta a amamentação?

– Pela chamada “confusão de bicos” em que, após o contato com o bico artificial, o bebê começa a ter dificuldade na pega e na ordenha do seio materno.
– O uso de chupeta diminui a frequência da amamentação.
– Início precoce da sua introdução que é, na maioria das vezes, na primeira semana de vida, bem quando o bebê está mais vulnerável à confusão de bicos e dificuldade de ajuste na pega e estabelecimento do AM.

Que mal a chupeta pode fazer para o meu filho?

– Deformidades de boca e face secundárias à alteração do tônus e mobilidade muscular, causando alterações de mastigação, deglutição, respiração bucal, alterações de fala e linguagem oral, além das alterações na disposição dos dentes e má oclusão (quando os dentes superiores não tocam corretamente os dentes inferiores). Alterações desse tipo aumentam significativamente com o uso após os 3 anos de idade.
– Aumenta o risco de otite média (infecção de ouvido) de maneira aguda ou recorrente.
– Aumenta o risco de infecções, principalmente quadros diarreicos e respiratórios, pela higienização incorreta da mesma e seus acessórios.
– Aumenta o risco de engasgos e aspiração de corpo estranho (“bicos rasgados” ou peças da própria chupeta ou prendedores).
– Aumento dos índices de vícios orais na vida adulta como fumar.

Então, melhor deixar chupar o dedo ou usar chupeta?

– Chupar dedo é um hábito desde a vida uterina; e quando a criança está se descobrindo, por volta dos 2 meses de vida em diante, é muito comum o bebê começar a chupar o dedo e a mãozinha. Atenção também, já que levar os dedinhos à boca pode ser sinal de que o bebê pode estar com fome e querendo mamar. Estudos mostram que chupar o dedo como hábito pode ser tão ruim quanto a chupeta, pois os mecanismos de sucção são similares. Porém, sabemos que os bebês que mamam no peito não se interessam pelo dedo com frequência ou logo perdem esse hábito. Durante a “fase oral”, o bebê leva tudo à boca como forma de exploração do mundo e, também, quando inicia-se a descida dos primeiros dentinhos que geram desconforto observamos que essa prática fica mais acentuada mesmo, não sendo algo preocupante. Na sucção do dedo, a língua vem para frente, como no AM, e o padrão de respiração nasal é mantido, por isso a amamentação não é prejudicada, assim orientações de troca do dedo pela chupeta não tem sentido algum.

A decisão final do uso da chupeta será sempre da família, portanto, é nosso papel como pediatra empoderar essas pessoas com conhecimento científico atualizado para que, de posse dessas informações, possa ser tomada a decisão.

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