Dia Mundial da Conscientização do Autismo

Dia Mundial da Conscientização do Autismo

Algumas coisas não fazem parte da nossa vida. Até que um dia, bem… passam a fazer.

Sabe aquela época em que a gente não tem filhos e assuntos como amamentação, viroses, escolinhas e criação com apego parecem coisas de outro universo? Pois é, e de repente lá está você, no meio de debates acalorados sobre esses e outros temas.

E o tempo passa e a vida vai trazendo novos desafios. Maiores, menores, de todas as cores e formatos.

Assim também acontece com questões ligadas à deficiência. Para muita gente, as únicas coisas que vem à mente quando se fala em deficiência são as vagas reservadas no estacionamento e as filas preferenciais no banco. Nada que aparentemente tenha a ver com o seu mundo. Então, num determinado momento, você se lembra daquela amiga que teve um filho com Síndrome de Down. Deu uma sumida, né? Por onde será que anda? Sua filha entra na escolinha e você fica sabendo que tem um coleguinha autista na sala. E agora? Como as crianças vão lidar com isso? Alguém no seu trabalho sofre um acidente de carro e fica com sequelas motoras. Seu condomínio tem que fazer reformas para se adequar a um novo morador com cadeira de rodas. Sua avó, que fazia os melhores bolos do mundo, passa a apresentar Alzheimer e os cuidados com ela mudam toda a dinâmica da família. E ninguém parece estar preparado para lidar com todas essas coisas.

Essa é uma das razões para que existam dias dedicados à conscientização dessas e de outras condições. Para dizer às pessoas: “Oi, nós estamos aqui! Também habitamos esse mundo louco onde as pessoas têm medo do que é diferente. Não queremos ser invisíveis. Estamos por todos os lugares e queremos conviver com as pessoas. Queremos ter nossas necessidades atendidas e oportunidades para mostrar o que podemos fazer.”

Dia 02 de abril é o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Cerca de 1 a 2% da população mundial tem autismo. Sim, é muita gente. Hoje em dia, também nos referimos ao autismo como Transtorno do Espectro Autista (TEA). A palavra espectro implica que existe uma grande variação nas manifestações clínicas. Aquela imagem da criança isolada, alheia ao que se passa ao seu redor, que não olha para ninguém e mexe as mãos sem parar, nem de longe representa a maior parte dos autistas. Não há nenhum sinal isolado que leve ao diagnóstico ou o exclua. Todas as pessoas no espectro apresentam problemas em duas áreas principais: Comunicação Social e Interesses e Comportamentos restritos e repetitivos. Porém, são áreas complexas e as dificuldades em cada uma delas podem ser de tipos e intensidades bem diferentes. Por exemplo, na comunicação podemos encontrar desde casos que não desenvolvem a linguagem oral até pessoas que falam precocemente, exibem um vocabulário rico com eloquência, mas que apresentam dificuldades em adequar o que dizem ao contexto social. Casos leves muitas vezes passam a vida toda sem um diagnóstico e sem receber o suporte que precisam. Por isso as ações de conscientização são tão importantes. Nós, humanos, costumamos temer e evitar o desconhecido. Até que se torne conhecido.

Os autistas querem ser vistos e reconhecidos. Só assim vão de fato estar integrados nas escolas, nas ruas, nos parques, nos ambientes de trabalho, em todos os lugares. Que a cada dia 2 de abril estejamos mais perto de fazer com que isso aconteça.

Texto de Dra Raquel Del Monde

 

Dra Raquel é Pediatra e Especialista em Psiquiatria Infantil.

 

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