Alergia à Proteína do Leite de Vaca

Alergia proteína do leite de vaca

Alergia à proteína do leite de vaca é uma reação anormal do sistema de defesa do organismo à proteína presente no leite de vaca. Essa reação pode manifestar-se através de lesões na pele, sintomas gastrointestinais ( diarreia, vômito, dor abdominal, distensão abdominal, refluxo gastroesofágico, sangue nas fezes), ou sintomas respiratórios (chiado no peito, espirros, coriza).

A maior parte dos casos de alergia ocorre no primeiro ano de vida, e a exposição ao leite de vaca nos primeiros dias após o nascimento aumenta o risco de desenvolvê-la. Crianças com um familiar de primeiro grau (pais ou irmão) alérgico também tem maior chance de ter a doença.

A reação alérgica pode ser imediata, logo após o contato ou ingestão de leite, ou tardia, após dias ou meses do início da exposição. As reações imediatas geralmente são mais graves, e podem ser ameaçadoras da vida da criança. As manifestações clínicas são variáveis, e uma mesma criança pode apresentar sintomas diferentes nas diversas ocasiões em que é exposta ao alimento. Mesmo se a criança entrar em contato com uma quantidade mínima de leite, irá apresentar reações.

O bebê em aleitamento materno exclusivo pode ser sensibilizado através de pequenas frações proteicas presentes no leite materno, quando a mãe ingere leite de vaca.

O diagnóstico é feito através da história relatada pelos pais, e os exames laboratoriais podem auxiliar a avaliação, que é fundamentalmente clínica.

Não se deve confundir a alergia a proteína do leite de vaca com intolerância à lactose. A lactose é o açúcar do leite, e sua absorção está diminuída em determinadas situações, como em bebês com diarreias infecciosas prolongadas, ou crianças acima de três anos e adultos com deficiência da enzima lactase. A deficiência congênita de lactase, ou seja, desde o nascimento, é muito rara, e a criança tem sintomas desde que começa a receber leite materno, que é rico em lactose. Portanto, crianças com suspeita de alergia não devem receber fórmulas infantis sem lactose.

O tratamento é feito através da restrição da ingestão do leite de vaca e seus derivados. O leite de cabra é muito semelhante ao leite de vaca, e não deve ser uma opção de dieta nesses casos. A soja também pode causar alergia, e estima-se que 30% dos alérgicos ao leite de vaca desenvolvem alergia à soja. Por essa razão, não é recomendada a menores de seis meses de idade. As fórmulas hipoalergênicas (extensamente hidrolisadas) ou fórmulas não alergênicas (aminoácidos) são as indicadas para essas crianças, de acordo com a gravidade do quadro. É importante lembrar que fórmulas parcialmente hidrolisadas, que servem para a prevenção da alergia em pacientes com pais e irmãos alérgicos, não são eficazes no tratamento.

A maioria dos alérgicos desenvolve tolerância ao leite até o terceiro ano de vida, e 15% persistem com alergia após os oito anos de idade.

A orientação dos familiares, bem como de todos os responsáveis pela criança, como babás e professores, é muito importante, tanto para a prevenção de reações graves, como para o seu bom desenvolvimento. Derivados do leite devem ser excluídos da dieta, e os rótulos dos produtos industrializados devem ser lidos, evitando-se os ingredientes que podem conter leite de vaca.

Não há nenhuma evidência que a restrição da dieta da mãe, na gestação ou na amamentação, possa prevenir o desenvolvimento de alergias alimentares. Portanto, a restrição da dieta materna só deverá ser feita no caso da criança que tenha apresentado reações alérgicas durante o aleitamento materno exclusivo.

Na suspeita de alergia ao leite de vaca, discuta o assunto com seu pediatra e se necessário procure um especialista, pois o diagnóstico é complexo, e a utilização de fórmulas infantis sem prescrição médica ou outros substitutos, como leite de aveia, leite de amêndoas, leite de arroz, pode acarretar sérios prejuízos nutricionais ao seu filho.

Texto: Dra Mariana Nogueira de Paula

Dra Mariana é gastopediatra e hepatologista infantil.

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